Virtudes do Medo - Gavin de Becker

"Tendemos a dar toda a nossa atenção aos riscos que fogem ao nosso controle (queda de aviões, desastres em usinas atômicas), enquanto ignoramos aqueles que sentimos serem de nossa responsabilidade (a morte provocada por fumo, má alimentação e acidentes de carro), ainda que estes últimos tenham muito mais probabilidade de nos prejudicar."

"Negamos porque fomos feitos para ver o que queremos ver."

"Embora estejamos vivendo na era espacial, nossas mentes ainda são da idade da pedra. Somos competitivos, territorialistas, violentos, exatamente como nossos ancestrais macacos."

"O recurso da violência está em todos, o que muda é a nossa visão da justificativa."

"Devemos aprender e depois ensinar aos nossos filhos que gentileza não é o mesmo que bondade. Ser gentil é uma decisão, uma estratégia de interação social; não é um traço de caráter. Quem está querendo controlar os outros quase sempre se mostra como uma pessoa gentil no início."

"É compreensível que as opiniões dos homens e das mulheres sobre a segurança sejam tão diferentes, homens e mulheres vivem em mundos diferentes. (...) ...basicamente, os homens têm medo de que as mulheres riam deles, enquanto que, as mulheres têm medo de que os homens as matem."

"Nas situações em que cabem ofertas de ajuda sem serem solicitadas, tais como as abordagens de um vendedor ou comissário de bordo, é apenas desagradável se você tiver que recusá-las três vezes. Com um desconhecido, entretanto, a recusa em ouvir um não pode ser um sinal importante de sobrevivência, da mesma forma com um pretendente, um amigo, um namorado, até com o marido. A pessoa que se recusa em ouvir um 'não' demonstra que está querendo controle, ou não quer abrir mão dele."

"É o mesmo que manter vivo um indivíduo artificialmente quando ele não tem mais qualidade de vida nem chances de sobrevivência. Apesar de muita gente pensar que isso prolonga a vida, na realidade o que se estende é o processo da morte."

"Embora o mundo esteja repleto de sofrimento, está também repleto de formas de superação."

"...a definição budista de sofrimento humano é perfeita: estar preso ao que está mudando."

"...muita gente acredita – e até aprendemos isso – que para nossa segurança devemos estar mais do que alerta. Na verdade, em geral essa atitude diminui a probabilidade de percepção de riscos e, portanto, reduz a segurança. Olhar ao redor alarmado enquanto pensamos 'alguém pode sair de repente de trás daquele muro; talvez alguém esteja escondido naquele carro' substitui a percepção do que realmente está acontecendo por fantasias do que poderá acontecer. Estamos muito mais perceptivos a todos os sinais quando não nos concentramos na expectativa de sinais específicos."

"Precauções são construtivas, enquanto que permanecer com medo é destrutivo. (...) Os montanhistas e os nadadores de longos percursos no oceano lhe dirão que não é a montanha ou a água que mata, é o pânico."

"Seu argumento é que ela tem de estar bem alerta a qualquer possibilidade de risco. Possibilidades, eu explico, estão dentro da sua cabeça, enquanto que a segurança aumenta com a percepção do que está fora dela."

"O próprio fato de você temer alguma coisa é uma forte evidência de que ela não está acontecendo."

"O medo conclama recursos de previsão poderosos que nos dizem o que pode vir em seguida. É isso o que tememos – o que pode acontecer, não o que está acontecendo agora."

"A relação entre medo real e preocupação é análoga à que existe entre dor e sofrimento. A dor e o medo são componentes necessários e valiosos da vida. Sofrimento e preocupação são componentes destrutivos e desnecessários."

"Depois de várias décadas vendo a preocupação em todas as suas formas, concluí que ela prejudica as pessoas mais do que as ajuda. Ela interrompe o pensamento claro, desperdiça tempo e encurta a vida. Quando estiver se preocupando, pergunte a si mesmo: 'De que me adianta isso?' E poderá descobrir que o custo de se preocupar é maior do que o de mudar. Para se libertar do medo, mas conservá-lo como um dom, são três os objetivos pelos quais devemos lutar. Não são fáceis de alcançar, mas vale a pena tentar: 1) Quando sentir medo, ouça. 2) Quando não sentir medo, não o invente. 3) Quando se descobrir inventando preocupações, investigue e descubra o porquê."  

"O fumo mata mais gente todos os dias do que os raios num período de dez anos, mas há pessoas que se acalmam durante uma tempestade – fumando um cigarro. Não é lógico, mas lógica e ansiedade raramente andam lado a lado."

"Só o que está ausente pode ser imaginado. Em outras palavras, o que você imagina – assim como o que você teme – não está acontecendo."

"A preocupação é uma escolha, e a criatividade que usamos nela pode ser aproveitada de outra forma, também por escolha."